Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Princesa da Casa

Eu sou a mãe, ela é a filha - a princesa. Embora às vezes os papéis se invertam!

A espera.

 

 

Guardarei esta espera na memória. Guardarei até que tudo acabe e o planeta deixe de ter vida. Guardarei até que a terra seque e eu, centenária, morra. Sentado, horas a fio, de olhar vago e coração solitário, o Manuel espera. Para ele, a vida já deixou de ser vivida.

Aqui mesmo, neste lugar, onde perduro, ouvi juras de amor, palavras de carinho e vi momentos de ternura. Aqui brincaram crianças, correram, treparam-me, soltaram gargalhadas. Aqui, à noite, no Verão, viam-se as estrelas, contavam-se histórias, planeavam-se os dias, confidenciavam-se sonhos e viam-se beijos, abraços e carícias. Mas, nem todos os dias eram felizes, também se viveram momentos difíceis, horas em que se tinham que tomar decisões, dias em que não era fácil olhar em frente. Foram verbalizadas palavras e tomadas atitudes que magoavam. Mas, as feridas, mais tarde ou mais cedo, saravam.

E hoje, sentado, horas a fio, frente à casa, outrora caiada de fresco, o Manuel espera. Olha o infinito, sem pensar em nada, sem desejar nada, sem planear nada. Espera como se ela um dia voltasse. Espera como se ela pudesse sair de casa e chamar por ele, a resmungar entre dentes, que o almoço já estava frio.

 

[Ficção - Life Moments]

 

* Fotografia by Alexandre Cibrão - www.acibrao.com

Maternidade [16]: A princesa B. e a iniciação à creche

Hoje foi o primeiro dia de creche da B. - primeira impressão - estranhou é claro, chorou, mas quando saímos ficou calma, ao colo da educadora.

Tentei ocupar-me durante as duas horas que ela ficou lá (sim, apenas duas horas, é melhor para ela...), mas foi inevitável, estava sempre a olhar para o relógio e  a pensar nela. Assim que voltei à creche, ansiosa por tornar a vê-la, a B. estava na espreguiçadeira, viu-me, fez beicinho (como quem diz "onde é que andaste?"), sonorizou um "mamã" (a sua primeira palavra), e acabou por sorrir!

Isto da iniciação à creche é mais complicado para as mamãs do que para as suas crias. Nós queremos sempre que elas estejam perto de nós, mas chegará o dia em que elas seguirão a sua vida. E afinal, é só uma fase... Mais uma.

Eu sei que até é bom para ela estar lá, tirando a parte das gripes e constipações. Eu sei que ela vai adaptar-se bem, fazer amiguinhos e aprender mais. E também sei que a vão tratar bem, que serão as segundas mães da princesa B., apesar de ficarmos sempre com uma restia de dúvidas em relação a isso. Eu sei tudo isto, mas, é difícil, faz parte de ser mãe!

 

"A Princesa da Casa" também está no Facebook

Maternidade [15]: A princesa B. e a crise

Parece que a B. está solidária com a crise. Andava a dormir tão bem à noite, mas nos últimos dias o caso complicou-se, acorda a chorar. Um choro cortante e angustiante. Depois de despistarmos todas as hipóteses que poderiam originar tal choro (fralda suja, calor, frio, dor, febre), rendemo-nos aos factos, a princesa B. entrou na crise da "separação ou angústia".

E o que é isto da crise? Andei a pesquisar sobre o assunto, segundo alguns entendidos, o bebé passa por 4 crises durante o primeiro ano de vida. Resumindo:

1) Período Simbiótico

Começa aos 3   meses. A partir deste   trimestre o bebé começa a perceber que a mãe não está ligada a ele. O bebé   percebe que precisa de chama-la para ter o que necessita e fica ansioso. O bebé fica   agitado, começa a dormir mal e por vezes deixa de querer mamar. Pode durar até quinze dias. Os pais devem   dominar a ansiedade e compreender que é uma fase pela qual o bebé precisa de   passar para crescer.

2) Formação do   triângulo familiar 

Ocorre entre os 5 e os 6   meses. Nesta fase o   bebé começa a reconhecer a figura do pai, até ao momento a mãe era a figura   mais importante da sua vida. O início da formação do triângulo familiar -   mãe/filho/pai - dá origem a mais uma crise. O bebé começa a   dormir mal, fica impaciente e o apetite diminui. Também é nesta fase que os   dentes podem começar a romper contribuindo para aumentar a agitação do bebé. Mais uma vez, o   conselho para os pais é o mesmo - muito amor e tranquilidade, pois a   ansiedade gera ainda mais ansiedade!

3) Separação ou   angústia 

Ocorre entre os 6 e 8 meses. O   bebé fica angustiado com a ausência da mãe, pensa que ela já não volta, começa a estranhar as pessoas que vê com menos frequência   e quer estar sempre ao colo da mãe! Nesta   fase o transtorno do sono é mais acentuado, durante a noite o bebé acorda   várias vezes a chorar - na cabeça dele quando a mãe apaga a luz e saí do   quarto, ele pensa que ela nunca mais volta! Esta crise pode durar entre três a quatro   semanas. Neste   período é necessário que o bebé encontre um objecto de transição que o acalme   e que esteja sempre com ele. Pode ser a chupeta ou um boneco. 

4) Dependência vs   independência

Começa quando a criança começa a andar. O bebé quer caminhar, ser independente, descobrir o mundo ao seu redor, mas   por outro lado precisa muito de colo e carinho. É esta ambiguidade que o   torna ansioso e agitado. O bebé agitado durante o dia, acorda várias vezes durante a noite e   começa a comer pior. Mais   uma vez, é preciso muito amor, muita compreensão e um ambiente seguro.

A boa notícia é que a princesa B. já vai a meio das crises , só falta uma. Mas, até quando? Não se esqueçam que ainda temos a famosa crise da adolescência e a crise da meia idade, etc.... Pois é, parece que as crises nos acompanham durante toda a vida.

A má notícia é que esta crise pode durar mais três semanas! Socorro! Resta-me aceitar esta fase e continuar a dar muito amor e apoio à B.. Afinal, tirando o transtorno no sono, ela continua a ser um bebé sorridente e encantador.

 

E como foi com os vossos filhos?

 

"A Princesa da Casa" também está no Facebook

 

Pág. 1/5