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A Princesa da Casa

Eu sou a mãe, ela é a filha - a princesa. Embora às vezes os papéis se invertam!

Gente muda e contrafeita.

 

 
Sinto o coração a palpitar. Fogem-me os minutos do presente. Caminho apressado entre seres anónimos emersos nos seus milhares de pensamentos: "Não me posso esquecer de marcar aquela reunião";"Será que fiz bem. Se calhar não era aquilo que ela queria";"Esqueci-me outra vez de pagar a conta da água";"Basta, vou pôr um termo nesta relação";
Sinto-me quebrado por dentro. Todos os dias conto os minutos e os tostões. Corro para o metro, apressado, corro para o trabalho, apressado - a vida foge-me das mãos. Os meus dias são um corrupio entre rostos desconhecidos, cabisbaixos, companheiros de viagem que olham fixamente para o infinito e pensam: "Estou cansado. Queria tanto ter ficado mais uns minutos na cama";"Acho que ele gosta de mim";"Tenho que comprar pão e fiambre";"Estou farta daquele tipo, irrita-me";"Não sei o que vou fazer hoje para o jantar";
O metro pára numa estação. Saí gente e entra mais. Gente inquieta e insatisfeita. Gente muda e contrafeita.
O metro volta a parar e eu saio. Maldita rotina semanal. Maldita neura matinal. Lanço-me ao percurso de todos os dias e tento encontrar um motivo para conseguir encarar mais uma segunda-feira!
 
[Ficção - Life Moments]