Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Princesa da Casa

Por aqui escreve-se sobre fatos reais, rotinas diárias e histórias imaginárias!

A Princesa da Casa

Por aqui escreve-se sobre fatos reais, rotinas diárias e histórias imaginárias!

Um amor à distância

17.09.15

A vida juntou-nos num encontro ocasional, num lugar pouco provável, mas num momento certo. A vida mostrou-nos que existem amores eternos e que surgem do nada, à primeira vista. Mas, a mesma vida, ou destino, faz questão de nos lembrar que nem tudo corre como queremos.

E, sou diariamente invadida pela saudade, convivo bem com a solidão, aprendi a lidar com ela, mas sinto a tua falta! Sinto a falta dos momentos que poderíamos viver juntos se não fossem os obstáculos... Sinto a falta de um futuro sonhado em conjunto. Sinto a tua ausência a cada momento e mais quando preparo o jantar, quando vou às compras e quando me deito na cama à noitinha. Há um lugar vazio, um lugar por ocupar, que é diariamente ocupado pela saudade!

Cada reencontro é sempre tão fugaz, tão breve... Há tanto que fica por dizer, tanto que deixo cá dentro com medo de perder a ilusão do momento. E tanto que fica por fazer, tantos planos quebrados. Mas, cada beijo, cada abraço, cada noite juntos é o relembrar da primeira vez e uma promessa para toda a vida! 

E assim, duas pessoas tão diferentes, de mundos distantes, fazem questão de provar diariamente que é possível ultrapassar barreiras, desde que o amor seja forte e verdadeiro como o nosso. 

 

2013-02-14-coracao_pedra.jpg

 

Nota: Imagem retirada de http://sicnoticias.sapo.pt/ -- »» Um "coração de pedra" na linha de comboio Bukit Timah, Singapura

 

 

Sigam-me também no meu Facebook Pessoal -- »» AQUI «« --   

 

Nunca me deixes

03.09.15

Nunca me deixes afastar-me de ti, se for para ir, que seja breve o suficiente para não sentir saudades.

Nunca me deixes ficar em silêncio, se for para me calar, que seja para te escutar a sorrir. 

Nunca me deixes tomar a atitude errada, se for para agir, que seja para te abraçar.

Nunca me deixes falar demais, se for para falar, que seja para dizer o quanto te amo.

 

 

Texto de Maria João Costa 
Fotografia de Annie Leibovitz

 

Sigam-me também no meu Facebook Pessoal -- »» AQUI «« --  

 

Ao encontro da inspiração

03.08.15

escritorseminspiração.jpg

 

Como se fosse um fogo, ou uma chama, a arder dentro de mim, quando aparece, é instantânea, esta vontade de escrever que me dá tanto prazer. E dos meus dedos surgem do nada palavras que constroem um todo, com ou sem sentido, pouco importa, o que importa, é que me sinto vivo quando esta vontade louca de escrever desperta em mim.

Mas, há dias em que me sinto vazio, perdido, e vejo o acumular de papel amarrotado debaixo da secretária, sinto o suor a percorrer-me o corpo, sou invadido por um desespero inútil porque não gosto de nada do que escrevi. São linhas e linhas rasuradas e nem um copo de vinho me trás alento. O quarto pequeno, com cheiro a mofo, de uma pensão velha no centro da pior parte da cidade, também não ajuda.

Levanto-me, sentindo os músculos presos por causa das horas continuas ali sentado, vou até à janela, inspiro o ar poluído, observo o ambiente nocturno, acendo um cigarro e olho para o relógio de parede - é esta pressão imposta pelos horários que dá cabo do meu sistema nervoso, da minha inspiração. Desisto, por hoje desisto. A cabeça está demasiado ocupada com pensamentos supérfluos, a data de entrega terá que ser mais um vez adiada. Mas, conheço alguém que é capaz de me acalmar, que me trata como menino, que me dá alento e que mima quando preciso.

Apago o cigarro. E depois de um duche de água gelada, vestido e perfumado, deixo a porta bater por de trás de mim, desço as escadas da pensão e vou ao encontro do conforto nos braços desse alguém. 

[Ficção - Life Moments]

 

Imagem de www.revistabula.com

Quem não te ama foge!

15.07.15

alizarazell.jpg

 

 

Acreditei.

Acreditei nas tuas palavras floreadas, nos teus atos grandiosos, nas tuas atitudes carinhosas, nas tuas promessas para a vida. Fiquei horas a imaginar-nos, a fazer planos para o futuro, a sonhar acordada, deitada sobre a cama, a ver estrelas debruçada sobre a janela à noitinha, acreditei que eras tu o meu príncipe encantado e que finalmente te tinha encontrado. Talvez a culpa fosse das histórias de encantar que li durante a infância, ou talvez fosse minha, por ainda acreditar que um amor assim era possível. Mas, o que é certo é que tu prendeste-me a ti quando me mostrastes que não podias viver sem mim e quando mostraste ao mundo que eu era o grande amor da tua vida! Mas, afinal a nossa história teve um fim. Quando tudo parecia bem, acabou. Assim como depressa entraste, depressa saíste, foste embora sem uma única palavra, pouco importa que fosse floreada ou não, eu só queria uma explicação. Dói pensar que tudo foi em vão, as horas perdidas a sonhar, os planos sem futuro, a paixão arrebatadora, o amor que terminou... Dói pensar que foste um dos mais belos erros da minha vida.

Dói. 

[Ficção - Life Moments]

 

Fotografia by Aliza Razell

Estátua!

13.12.12

 

 

Pinto a cara de branco como se de um quadro se tratasse. Maquilho-me ao pormenor por forma a reencarnar a minha personagem. Sorrio olhando-me ao espelho e exclamo: - Que olhos perfeitos! De oriental não passo!
Hoje sou gueixa, ontem fui múmia! Há três dias fui rei, amanhã serei palhaço.
Depois de amanhã o que serei? Não sei...
E é assim que todos os dias me transformo no que não sou!
Ora ponho um sorriso alegre, ora um olhar triste! Ora fico irritado, ora cabisbaixo!
Tantas expressões, dezenas de sentimentos, diversos estados que reconheço nos outros mas que não são verdadeiramente meus. Sou um ser que interpreta milhares de eus. 


***


Parado na rua Augusta, agora sou uma estátua. Protejo-me do sol com uma sombrinha vermelha. O vestido diferente e colorido desperta a atenção de alguns transeuntes. Aguardo uma moeda no cesto de vime ainda vazio.
Algumas pessoas olham-me com curiosidade, outros apressados, de fatos caros, bem cortados e pastas de couro na mão, tropeçam em mim com vista e olham-me com desdém.
De súbito, uma rapariga tagarela destaca-se de um grupo de amigos, sorri-me e atira uma moeda para o cesto - a estátua moveu-se por segundos num gesto premeditado - fechei a sombrinha, fiz-lhe uma vénia e voltei a abrir a sombrinha.
O grupo de amigos aproximou-se. Olhares de admiração e sorrisos espontâneos cruzaram-se na rua. Choveram moedas e multiplicaram-se os gestos da estátua movediça.
As crianças sorriam. Os turistas fotografam-me. Os fatos caros, bem cortados e apressados param por segundos.


***


Limpo a cara. Sento-me numa cadeira junto a mesa de jantar vazia e conto as moedas do cesto. Sinto a barriga a roncar, mas ignoro-a, sorrio e exclamo: - Vou comprar um traje novo! Depois de amanhã já sei o que serei!

 

[Ficção - Life Moments]

 

* Fotografia by Alexandre Cibrão - www.acibrao.com

 

O homem que recuperou a fé

09.12.12

 

 

A medo Pedro entrou na Igreja. Há anos que deixara aquela porta fechar-se para si. Há anos que perdera a fé. Pedro inalou o cheiro das flores, do incenso e da cera queimada e como se de um gesto rotineiro se tratasse, benzeu-se.
Casara-se ali. Casara-se num dia solarengo de Agosto. Reunira a família e os amigos. A Igreja estava cheia, as crianças brincavam, davam gargalhadas, as mulheres observavam os vestidos alheios, os homens conversavam. De repente, o murmúrio crescente fora quebrado pela valsa nupcial e Débora entrou na igreja. A troca das alianças, as palavras ditas, as promessas e o beijo selavam uma relação e abriam caminho a uma nova vida. E assim foram abençoados.
Pedro escutou o silêncio frio e tranquilizador da Igreja. Observou os detalhes, a nave central, o altar, as colunas, o órgão de tubos. Observou a beleza e o requinte interior face à sua pobreza e estado de espírito. Observou as pessoas, sentadas, esperavam pela missa da tarde. Acreditavam. Eram guiadas pelo dito Deus.
Pedro também fora uma ovelha do Seu rebanho. Mas de um momento para o outro o dito Deus desapareceu da sua vida. E foi numa tarde de Agosto, também solarenga, que alguém o avisara que a mulher fora atropelada. Débora tinha ido almoçar com uma amiga no centro da cidade movimentada. Ao atravessar a estrada sem olhar, o sinal verde caíra, mas um carro desvairado ignorara a sinalização e embatera nela. Débora estava grávida de quatro meses. O seu corpo lutara pela vida, mas não resistira e a criança também não.
Que Deus é este que nos tira quem amamos sem aviso prévio? Que Igreja é esta que nos impõe mandamentos e não nos salva dos infortúnios? Pedro sentiu os remorsos entranharem-se pelo seu corpo. A bênção do casamento não lhe servira de nada. Deus ofereceu-lhe a felicidade para depressa a tirar. 
Pedro sentou-se. Olhou Cristo na Cruz, procurou Deus nas paredes ornamentadas, nos frescos detalhados e como se de repente a fé reprimida ressuscitasse dentro dele, pediu-Lhe para partir. Pediu-lhe para ir ter com Débora!

 

[Ficção - Life Moments]

 

* Fotografia by Alexandre Cibrão www.acibrao.com